"Gostaria de pintar. Pintar a escrever. Escrever as tintas, escrever as cores, escrever as linhas, os desenhos, escrever as folhas em branco, e escrever os pinçéis. Gostava de pintar a minha vida, gostava de pintar o meu amor. Este desenho é para ti, meu amor. Vou te desenhar aí, olhando para mim. Depois vou te desenhar aqui me abraçando. Depois vou desenhar o teu abraço humano, só humano, me envolvendo. Não vou desenhar mais nada, só a ti, meu amor. Só o teu abraço, a tua pele, o teu calor. Vais ficar tão real no meu desenho que eu vou conseguir tocar-te. Vou pegar nas minhas cores e vou percorrer todo o teu corpo tentando enganar a folha de papel branca que gostaria de te ter para si. No teu rosto vou inventando cores para te fazer sorrir, depois, vou percorrendo vales e relevos nos teus braços sentido toda a tua força. Quando chegar ao teu peito vou desenhar as cores de um arrepio. Vou descendo até à tua barriga e as cores vão-se misturando num poço de belo e real prazer. Se continuo a descer as minhas cores só te conseguem desenhar corado... e com um pouquinho de vergonha à mistura sou quase obrigada a voltar para cima! E aí estás tu no meu desenho, vestido apenas de pele quente e arrepiada. Lindo como só eu o poderei ver."