23/04/06

"Corpos estranhos"

Porque é impossível voar...? Eu quero voar. E quero tanto voar que chega a irritar. Tudo parecia tão certo e tão perfeito... A minha cabeça, o meu coração, o meu corpo pareciam agir como um só. Em perfeita sintonia. Sentia que podia tocar o mundo, e mudá-lo, e senti-lo. Sentia uma força enorme que me fazia lutar! E lutei,e venci, e foi perfeito! E mudei mundos e fundos. Eu era forte, determinada... verdadeira!
Bastou ter tempo para pensar e notar que talvez nada era real... Parece que vivi um sonho, mas que terminou... por alguma razão. Já não ouço o meu coração como ouvia. Ele calou-se, submeteu-se a um silêncio que me devora e me rasga por dentro. O que o meu corpo quer, a minha mente nega. E aquilo que a mente reclama, o coração renega. Agem como corpos estranhos atirando-me contra paredes negras sem fim nem início, sem cantos nem chão, nem tecto... no caso de eu conseguir voar para escapar.
Porque é impossível voar?

16/04/06

"Todos os dias podem ser Domingos..."

"Cheira a domingo. Hoje é domingo. É mesmo um daqueles dias que nos apetece fazer alguma coisa mas não há nada para fazer. Eu não gosto dos domingos. Não gosto e pronto! São dias mortos, sem graça, sem vida, sem alma. São dias cheios de nada onde já mais nada cabe. São solitários, longos, sonolentos, mal dispostos. São dias que já perderam a esperança. Já nem televisão, a cama, os livros ou até o rádio os podem salvar. Já nem mesmo a leitura de um bom livro! Todos eles servem para passar o tempo, mas não matam a esfomeada tristeza dos dias de domingo. Até o sol nestes dias parece mais cinzento. Não apetece oferecer nada ao mundo. Não me apetece ser simpática nem bem disposta. Não me apetece ser energética nem criativa. Parece que mal começa o dia, ele me tira tudo o que poderia ser meu nestes dias.

14/04/06

"O meu desenho de ti"

"Gostaria de pintar. Pintar a escrever. Escrever as tintas, escrever as cores, escrever as linhas, os desenhos, escrever as folhas em branco, e escrever os pinçéis. Gostava de pintar a minha vida, gostava de pintar o meu amor. Este desenho é para ti, meu amor. Vou te desenhar aí, olhando para mim. Depois vou te desenhar aqui me abraçando. Depois vou desenhar o teu abraço humano, só humano, me envolvendo. Não vou desenhar mais nada, só a ti, meu amor. Só o teu abraço, a tua pele, o teu calor. Vais ficar tão real no meu desenho que eu vou conseguir tocar-te. Vou pegar nas minhas cores e vou percorrer todo o teu corpo tentando enganar a folha de papel branca que gostaria de te ter para si. No teu rosto vou inventando cores para te fazer sorrir, depois, vou percorrendo vales e relevos nos teus braços sentido toda a tua força. Quando chegar ao teu peito vou desenhar as cores de um arrepio. Vou descendo até à tua barriga e as cores vão-se misturando num poço de belo e real prazer. Se continuo a descer as minhas cores só te conseguem desenhar corado... e com um pouquinho de vergonha à mistura sou quase obrigada a voltar para cima! E aí estás tu no meu desenho, vestido apenas de pele quente e arrepiada. Lindo como só eu o poderei ver."

10/04/06

"Aquilo que me faz sentir... bem!"

Quero sentir o sol a tocar-me no corpo, quero sentir o calor na minha pele. Quero sentir o cheiro do mar, quero respirar esse mar. Quero entrar na água gelada e sentir todo o meu corpo tremer. Só assim saberei que está vivo e que me pertence, este corpo que, às vezes, nem sei que é meu. Quero sentir-me a enrolar por toda a areia da praia como se ela fosse minha. Ficar deitada na areia sem fazer nada durante várias horas. Só a olhar para o céu. Limpo, com nuvens, sem nuvens, limpo. Não importa... só renego a um céu com chuva. Chuva não, faz-me confusão.